segunda-feira, 14 de maio de 2007

Consumo e inflação

O povo brasileiro, carente de boas novas, está acreditando firmemente no sucesso da produção e da exportação do etanol. Vêem somente as possibilidades positivas e não estão analisando os riscos e nem sequer os exemplos de comportamento, em passado recente, de determinadas áreas da economia nacional, especialmente alguns setores da produção rural.
O álcool anidro e o álcool hidratado, adotados como combustíveis, há mais de vinte e cinco anos, já nos mostraram como se comporta o produtor, essencialmente em função de seu interesse próprio e das pressões que possa exercer para a obtenção das benesses que espera do estado.
Recentemente pudemos ver as pressões e os protestos de exportadores brasileiros, inconformados com a ausência (teórica) de inflação e a conseqüente queda do dólar, que provocam a redução dos lucros sobre produtos exportados.
É uma reação natural e humana, mas que demonstra como se comporta e como pode agir o ser humano em função de seus interesses mais imediatos.
Feito este prólogo, gostaríamos de levar para a análise do leitor a possibilidade lógica da redução das áreas de plantio de alimentos e a inequívoca conseqüência, que será o aumento do preço desses produtos. Diz a teoria mais simplista, que a redução da oferta ou o aumento da procura levam à elevação natural dos preços. Aumento de custo de vida gera inflação e esta provoca o aumento do valor das moedas usadas no intercâmbio comercial (dólar, euro, etc). Um círculo que, ao se fechar, pode nos mostrar em futuro muito próximo por que trilhas sinuosas andamos neste momento.

sábado, 5 de maio de 2007

Por quê?

Não vos parece estranho que os EUA, com tanta área agriculturável, venham incentivar o aumento da área de plantio de cana-de-açúcar e se disponham a comprar a produção de etanol brasileiro?
O que haverá por detrás disso?
Vamos levantar algumas lebres e convidar o leitor a correr atrás delas, junto conosco, para tentarmos alcançá-las:
  1. A Petrobrás acabou de chegar ao patamar mínimo desejado (auto-suficiência do país em combustíveis de origem fóssil...petróleo), depois de "sambar" 50 anos e de sofrermos todos os tipos de pressões (Monteiro Lobato soube do preço) para não descobrirmos esse potencial;
  2. Os EUA têm mais área agriculturável disponível que o Brasil (excluindo as áreas de preservação - até quando - e a Amazônia) mas, vão continuar plantando milho (que produz dez vezes menos etanol que a cana-de-açúcar);
  3. O Brasil é chamado (por conta das perpectivas baseadas na realidade atual) de "O celeiro do mundo".

Aí vêm as "lebres":

  • Com esta possibilidade de lucros maiores, em menor espaço de tempo, o agricultor brasileiro vai continuar produzindo café, feijão, milho, arroz e outros alimentos ou vai preferir plantar cana-de-açúcar?
  • Se isto acontecer, não irá faltar alimento para o povo brasileiro?
  • Esse incentivo norte-americano à produção de etanol no Brasil, não tem nada a ver com Árabes, Venezuelanos e a tentativa de derrubar o preço do petróleo deles? Ou terá?
  • Será que não estarão querendo, apenas, gerar uma cisão entre os países que compõem o Mercosul e quebrar a força dessa possível união?
  • Se houver afirmação a estas possibilidades, só nos resta dizer: "Bye, bye Brazil e complementar com a rima que mais se adapte...

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